Sunday, November 26, 2006

Cesariny foi a passeio...


You Are Welcome To Elsinore

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam

e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos conosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Wednesday, November 15, 2006

Portugal no seu melhor

Tuesday, November 14, 2006

Guiness Book


Há dias o SLB foi galardoado com o título de clube com mais sócios,com direito a Guiness Book e tudo.
Pergunta-se:
-os 160 000 incluem os mortos e sócios com quotas em atraso?E os outros 5 800 000?
-também está no Guiness Book o facto de o SLB ser o 1º clube com um presidente preso,e há anos usar um milhafre a fazer de águia sem ninguém dar por isso?
O Manchester United já sabe e deixou?
Não é que me preocupe o Guiness,afinal tudo o que são aberrações está lá(homem mais alto,nabo mais pesado,etc)mas para mim a opção para o futuro do mundo é e continuará a ser VERDE...

Friday, November 10, 2006

Mário Lino,ministro da Ota,afirmou há algum tempo o seu iberismo militante,razão que levou agora um grupo de cidadãos
primos da padeira de Aljubarrota a processá-lo,por "castelhanismo" e indecência.
Ficamos assim a saber porquê a pressa do TGV e da ligação a Espanha.São os Miguel de Vasconcelos do Plano Tecnológico.Olé!

Justiça Internacional

Desta feita,um tribunal argentino emitiu um mandado de captura contra o antigo presidente do Irão,Rafsanjani(na foto).Anteriormente o mesmo aconteceu a Pinochet,Sharon ou Mobutu,sempre sem resultados práticos.Pergunta-se pois:é vaidade do juíz que emite o mandado ou alguma vez uma justiça internacional para todos(americanos incluídos) virá a funcionar?Até lá...

Wednesday, November 08, 2006

Dar a vida pelo Orçamento


O ministro Teixeira dos Santos promete dar a vida pelo orçamento de Estado para 2007.Será que iremos ver fogueiras ou autos de fé no Terreiro do Paço,ou patíbulos na CMVM?Mas fica--lhe bem o gesto.Ele dá a vida,nos damos a bolsa.Feitos ao Bife

Sunday, November 05, 2006

Saddam e a pena de morte

A propósito da (previsível) condenação de Saddam Hussein à morte,e independentemente de entender estarmos perante um ditador sanguinário merecedor de castigo,não pode a corrente civilizacional defensora da abolição da pena de morte deixar de refutar tal solução,de que Portugal se afastou há mais de 150 anos.

A Amnistia Internacional revelou já que existem mais de 20.000 pessoas no corredor da morte, a aguardar execução pelos seus próprios governos. Pelo menos 2148 pessoas foram executadas, em 22 países, em 2005 – 94% dos quais na China, Irão, Arábia Saudita e EUA – e 5186 foram condenados à morte em 53 países.

A pena de morte é a negação dos direitos humanos, na sua forma mais irreversível. É normalmente aplicada de uma forma discriminatória, no seguimento de julgamentos injustos ou é aplicada por motivos políticos. Pode ser um erro irreversível quando há uma falha na justiça."

A pena de morte não é instrumento dissuasor de crime. Os governos têm de se concentrar em desenvolver medidas efectivas contra a criminalidade, em vez de se basearem na ilusão de controlo dado pela pena de morte,que apenas ressalta a ideia de vingança e do tradicional "olho por olho"

Felizmente a tendência para a abolição continua a aumentar: o número de países que levam a cabo execuções, diminuiu para metade nos últimos vinte anos e tem-se mantido esta tendência nos últimos quatro anos. O México e a Libéria são os dois exemplos mais recentes de países que aboliram a pena de morte.

Na China – o país que leva a cabo cerca de 80% das execuções mundiais – uma pessoa pode ser sentenciada e executada por mais de 68 ofensas criminais, incluindo crimes não violentos como a fraude fiscal, peculato ou crimes relacionados com droga.

Na Arábia Saudita, as pessoas são retiradas das suas celas e executadas sem terem conhecimento de que foram sentenciadas à morte. Outros são julgados e sentenciados à morte numa língua estrangeira, que não sabem ler ou escrever.

O Irão foi o único país que executou menores em 2005. O Irão executou pelo menos oito pessoas por crimes que tinham cometido quando eram menores, incluindo dois jovens que tinham menos de 18 anos na altura da sua execução. Em Março de 2005, os EUA aboliram a pena de morte para jovens que tivessem cometido crimes enquanto menores, tendo sido até então um dos "líderes mundiais" desta prática.

Na China, muitos temem que os elevados lucros por detrás do transplante de órgãos dos executados, pode funcionar como um incentivo à manutenção da pena de morte.

Em muitos países a crueldade inerente a estar no corredor da morte é exacerbada por procedimentos desumanos. Na Bielorússia e Uzbequistão, nem os sentenciados nem as famílias são avisados da data de execução, impedindo-os de terem uma última oportunidade de se despedirem. O corpo do prisioneiro não é entregue aos familiares, nem são informados do local de enterro.

A Amnistia Internacional também sublinha as consequências mortíferas dos julgamentos injustos.

No Japão, várias pessoas foram condenadas à morte após tortura e "confissões forçadas" por crimes que não cometeram. As falhas do sistema judicial no Uzbequistão e na Bielorússia permitem vários erros judiciais. As execuções no Uzbequistão seguem-se a alegações credíveis de julgamentos injustos, tortura e maus tratos frequentemente para obter "confissões".

Mas o movimento contra a pena de morte está imparável. Em 1977, só 16 países tinham abolido a pena de morte para todos os crimes. Em 2005, esse número cresceu para 86.

A Amnistia Internacional continuará na sua campanha contra a pena de morte até que todas as condenações à morte sejam comutadas e a pena de morte seja abolida. Os direitos humanos são para todos, inocentes ou culpados. É por isso que a pena de morte tem de ser abolida globalmente.

Entre Janeiro a Dezembro de 2005,só na China as estatísticas apontam para 1770 executados. Um perito chinês em legislação foi citado recentemente como tendo afirmado que os números verdadeiros relativos às execuções na China se aproximam dos 8000. O Irão executou pelo menos 94 pessoas e a Arábia Saudita executou 86. Os EUA executaram 60 pessoas.

A eventual execução de Saddam,pela visibilidade que terá,será um mau momento para os activistas contra a pena de morte.Porque se para muitos,familiares de vítimas assassinadas,violadas,etc,só com uma justiça retributiva se aplacarão os desejos de vingança,algo tem de fazer a diferença entre a Justiça como valor e a Barbárie.

Deformação profissional de jurista....

Fontes estatísticas:Amnistia Internacional


Saturday, November 04, 2006

Já há obras em Monserrate?

O ano passado durante uma visita a Monserrate verificou-se que os magnificos interiores,em estuque trabalhado,têm vindo a ser restaurados,mostrando a figura parte do corredor central,a lembrar as mesquitas,com o seu espectacular rendilhado.Passado um ano,já foram retomadas as obras?Ainda muito há que fazer até devolver a Monserrate a dignidade que teve até aos anos 40.Não parem o restauro,e depois de concluido,devolva-se á Comunidade para lazer e cultura.Estamos atentos.